If we can’t live together, we will all die on Twitter
A proposta aqui é apresentar as novas ferramentas, idéias e conceitos que surgem para tornar nosso trabalho mais eficiente (menos trabalhoso) e nossa diversão mais agradável. Acontece que deixei passar um desses “martelos” e não apresentei para meus raros então preciosos leitores.
Agora o Twitter dispensa apresentações, uma vez que saiu hoje mesmo na Folha.
Acontece que minha motivação para escrever sobre ele só agora não é essa dele estar pop. Acompanhe:
Na semana passada os amigos de um fotografo/manifestante conseguiram soltar o cara da cadeia após verem em seu Twitter a ultima coisa que ele conseguiu escrever antes de ser preso: “Arrested”.
Ontem o prédio ainda não tinha parado de tremer por conta do terremoto mas lá já existia uma cobertura em primeira mão, #terremotoSP, que nenhum portal chegou perto de ter.
Ótimo! Twitter é a salvação para todos os problemas! Não…
Quer dizer que a policia vem para te prender e o que você faz? Twitter. O prédio só está balançando e? Twitter.
Qual será a explicação para isso? O que nos faz compartilhar nossos momentos por mais “finais” que eles sejam?
Lendo um post do Luli — “Live together, die alone” — encontrei o trecho do livro de Aldous Huxley, As portas da percepção que descreve muito bem o que é o Twitter.
“Vivemos juntos, e agimos e reagimos uns aos outros; mas sempre e em todas as circunstâncias, estamos por conta própria. Os mártires vão de mãos dadas para a arena; são crucificados sós. Abraçados, os amantes tentam desesperadamente fundir suas êxtases insuladas em uma só auto-superação; em vão. Por sua própria natureza, cada pessoa é amaldiçoada a sofrer e gozar em solitude.
Sensações, sentimentos, insights, imaginações — todos são privativos e, exceto através de símbolos e em segunda mão, incomunicáveis. Podemos acumular informações sobre experiências, mas nunca as experiências em si.
Da família à nação, cada grupo humano é uma sociedade de universos insulares”
O que vocês acham? Assim como o Twitter, Wikipedia, Blogosfera, Orkut(s) e MSN(s) são uma tentativa desesperada de fundir experiencias?

o engraçado é que antigamente essas coisas até q aconteciam, é mais ou menos o que o Jooham Kim fala num artigo onde ele fala sobre o papel da conversa na democracia deliberativa.
*fala onde ele fala foi uó! eita mania de postar sem rever :S
Excelente questão, Dirceu. Eu tenho a sensação de que cada época tem a mídia que merece. Nos tempos de Lutero, os panfletos pró-Reforma percorriam loucamente a Europa, de mão em mão, a cavalo, numa velocidade (para 1500 e tralalá) espantosa. Quando os jornais começaram a circular pela Europa entre os séculos dezoito e dezenove, a sede das pessoas por notícias passou a crescer com velocidade ainda maior. Em época de crises (e de eleições) nos EUA no século dezenove, os jornais faziam montam prensas e linotipos em locomotivas para poder imprimir as notícias à medida em que elas aconteciam. Eram quase “blogs steampunk”, veja você. A evolução tecnológica e a possibilidade de cada pessoa ter a sua mídia só fez aumentar essa sede. Mas é que nem sexo: não sacia nunca…