Entendendo a Creative Commons

11/2/2008 | Tags: , , , , , , | Escrito por: Dirceu Júnior

Até hoje eu nunca havia entendido muito bem as diferentes “licenças livres” que são usadas em softwares ou em conteúdos diversos (filmes, livros, música…). Sempre soube que elas eram feitas para assegurar certos direitos e liberdades ao autor e a quem obter uma copia do trabalho, mas nunca havia tomado nota da importância de estudar uma licença dessas antes de utiliza-la.

Pessoalmente eu adoro a iniciativa Creative Commons e antes de estuda-la e pesquisar também sobre outras licenças, pensava em usa-la para todos projetos abertos que eu desenvolvesse. Tanto que a utilizei no projeto do leitor de tela para deficientes que utiliza o mouse :). Porém após conhece-la melhor, vi que para certos tipos de trabalhos - como softwares - ela não é eficiente.

Creative Commons

Creative Commons 1Assim como qualquer outro documento para licenciamento (livre ou não), o Creative Commons é um conjunto de termos para proteger o seu trabalho de ser “roubado”. Ou seja sua natureza legal é aplicar certas condições - restrições - na utilização/distribuição/modificação de qualquer trabalho para que alguns direitos do autor sejam mantidos.

A Creative Commons não serve como licença de programas de código aberto (opensource) - pois não existem termos que obriguem a distribuição do código fonte - porem pode ser utilizada como uma forma de publicar software livre sim.

Como assim, software livre, opensource, código aberto, qual a diferença?

Pense em algo totalmente diferente de programas de computador, ahm, tortas!
Em uma torta, se você publica-la utilizando a Creative Commons sob Atribuição significaria para você:
Fazer a torta e passa-la pra frente com a licença CC.

E para quem pega-la:
Creative Commons 2Come-la, estuda-la, colocar chantilly e se for dar para outra pessoa falar quem foi que fez ela. Não sendo necessário publicar, distribuir ou redistribuir a receita da torta.

Essa seria uma torta livre, mas não de código aberto. Sacou?

(Além disso alguns países obrigam o distribuidor de software manter certos termos de garantia no produto, o que não é abrangido pela CC.)

Dentro do conjunto de regras da Creative Commons existem 4 termos que combinados formam as 6 licenças CC.
Esses termos são: Atribuição, Uso Não Comercial, Não à Obras Derivadas, Compartilhamento pela mesma Licença.

Creative Commons 3

Suas combinações formam as diferentes licenças CC:

  • Atribuição: é a forma simples da CC - ela obriga quem utilizar (exibir, modificar, estudar…) a obra a manter os créditos originais do autor.
  • Atribuição + Compartilhamento pela mesma Licença: ela incorpora o primeiro termo e adiciona a obrigatoriedade de compartilhar obras derivadas utilizando a mesma licença que a obra original utilizava.
  • Atribuição + Não à Obras Derivadas: você obriga que não será permitido utilizar (exibir, modificar, estudar…) nenhuma obra derivada de seu trabalho.
  • Atribuição + Uso Não Comercial: você proíbe a possibilidade de uso comercial tanto da obra original quanto obras derivadas.
  • Atribuição + Uso Não Comercial + Compartilhamento pela mesma Licença: somente poderá ser feito algo com a obra desde que não seja feito uso comercial e também seja utilizada a mesma licença para obras derivadas.
  • Atribuição + Uso Não Comercial + Não à Obras Derivadas: o trabalho não poderá ser utilizado de forma comercial e também não poderão ser feitos trabalhos derivados.

Creative Commons 4Ao invés de dar destaques em termos como “permitir, dão liberdade” e afins, negritei palavras como “obrigam, limitam” justamente para deixar claro que licenciando um trabalho na CC você de forma alguma está abdicando de todos direitos sobre o trabalho. Assim como (e mais importante) você não está dando TOTAL liberdade a quem adquirir uma copia da obra. Na verdade você está de qualquer forma e em qualquer licença tirando a liberdade de livre utilização - impondo algumas regrinhas.

Creative Commons 5Mas você tem que entender que essas regrinhas são na verdade feitas para o bem. Diferente das publicações com “todos direitos reservados”, você vai na verdade manter com a Creative Commons alguns poucos direitos que devem servir como forma de retribuição ao trabalho exercido.

Se o intuito é dar todas liberdades para quem adquirir uma copia do trabalho você pode deixar claro que quer utilizar as regras aplicadas ao Domínio Público ou ainda distribuir a obra nos termos da WTFPL (sigla para Do What The Fuck You Want To Public License ou em português de filme liberado para menores de 14 anos: Faça o que quiser).

Creative Commons 6Entenda a Creative Commons como uma substituta das licenças reservadas, no sentido de que as mesmas foram feitas com o intuito de fazerem o bem para a sociedade e acabaram se tornando um impedimento ao livre estudo e livre circulação de material cultural, e a CC vem para resgatar a intenção de socialização de conhecimento.

Creative Commons 7

Esse material é uma tradução e coletânea de informações com a adição do pensamento do autor. De nenhuma forma isso substitui as licenças originais em Inglês ou tenta fazer um entendimento diferente delas.

As tiras foram feitas originamente por Neeru Paharia. As ilustrações originais são de Ryan Junell, e as fotos de Matt Haughey. Legendas foram traduzidas por mim - Dirceu Júnior. Originais em: http://wiki.creativecommons.org/Howitworks_Comic1

Saiba Mais sobre outras licenças de conteúdo e software:

Esse artigo faz parte de uma série de outros dois artigos explicando as características de algumas licenças de livre circulação de material cultural, de código aberto e de software livre.
Veja mais:
Entendendo a Licença MIT
Entendendo a GPL (GNU General Public License)



Menos criticas

8/10/2007 | Tags: , , , , , | Escrito por: Dirceu Júnior

Qual o objetivo quando fazemos uma critica? Machucar profundamente o coração alheio? Normalmente quem sofre uma critica acha que é isso. Eu admito que fico irritado quando recebo uma critica também. Mas é questão de tempo para eu entender e até concordar com a critica, talvez até mudar (mudanças são difíceis em qualquer caso, mesmo eu sendo mente aberta… ou não).

Há algum tempo já estou me questionando qual a importância de criticas abertas. Exatamente desde quando o Rafael Lima fez um artigo continuando uma discussão. Primeiro levei como critica e. Depois vi que em partes ele estava certo, e mas adiante percebi que foi justamente a minha critica que gerou uma discussão e que nós levou a algumas conclusões. Ou seja, ela foi produtiva.

Tirei uma conclusão.

Eu não estou totalmente certo em ficar fazendo criticas vazias ao trabalho dos outros só por que eu sei o que é mais certo (não absolutamente certo, sim relativamente).

Isso pela frase: “O problema é quando a empresa está querendo que seu site seja indexada, e o contratado faz um site em flash” que respondo por aqui: “Quando a empresa não sabe o que é ['ser indexada', 'acessibilidade', 'SEO'], o certo é deixar isso claro para ela, prestar uma consultoria. Qual será a porcentagem de agências ou produtores web que fazem isso? 3%? 5%?”.

E não estou totalmente errado.

Talvez quando dizem que criticas são importantes, estão falando só pra gente refletir, criticar e xingar mentalmente. Pode até ser por isso que quando uma empresa escreve: “dúvidas, elogios, criticas e sugestões: Clique Aqui” e escrevemos aquele e-mail imenso, não recebemos nenhuma resposta. Eles não querem saber das criticas. Acabam não ganhando sugestões e elogios. Provavelmente entendem todas sugestões como criticas. Ou todas criticas como não sugestões. E não respondem.

Mas tudo isso me fez pensar que realmente não irei a lugar algum “se ficar apontando os erros dos outros”, mas eles irão. Eles terão a chance de refletir, igual eu tive com a critica (no bom sentido) do Rafael.

Mas fazendo uma média entre custo x beneficio eu só saio perdendo. Justamente por isso, a partir de hoje, menos criticas abertas de minha parte. Mas não vou deixar de ir lá no Kero Ke Ry avaliar formalmente o sistema deles e jogar os pontos negativos aqui. Não vou deixar de ‘tentar’ ajudar. Só vou diminuir a dose. Ok!?



Eventos de TI - Londrina e Região

14/9/2007 | Tags: , , , , , , , | Escrito por: Dirceu Júnior

Desculpem a falta de novas discussões nesse pomo, mas o Stéfano esqueceu a senha do Wordpress e tem vergonha de perguntar e minha senha é muito grande por isso demorou para lembrar. Besteira.

Mas resolvi dar a cara por aqui para publicar sobre alguns eventos de Tecnologia na região. Aquela publicidade não paga que esses eventos passaram a ganhar por conta dos blogs, sabem :)
Começando por ordem de distância de Londrina e não terminando porque não há o que tagalerar, veja logo os eventos!

Os Caminhos da Tecnologia

Pelo e-mail que recebi é um encontro corporativo que vai apresentar os impactos da tecnologia em todas atividades de nossas vidas.
O palestrante é Wellington de Marchi, pós na USP, MBA na FGV, CDIA+ pelo MIT, e mais um monte de certificado da Microsoft e Cisco. Interessante.
Não tenho nada disso então não posso menosprezar, mas posso dizer que não ligo muito para certificados, não posso?
Não sei se vai ser bem algo ligado nesse universo de blogs, wikis e comunidades virtuais. Talvez seja só uma introdução à Tecnologia da Informação. Mas é só 5 reais. Como não achei site do evento, segue informações:

Data
17/09 - as 19:30

Local
Condomínio Comercial Senado
Rua Rua Souza Naves, n. 771 - Térreo - Loja 2.

Maiores informações
Odete - 43 9966-8684
odetesosa@hotmail.com

III Paraná Júnior

Publicidade paga com uma Heineken

Paraná JúniorO Paraná Júnior não é um evento voltado exclusivamente para TI, mas sim para empresários juniores. Porém é inegável a importância do tema [TI] para qualquer empresário hoje em dia, e tornar de sabedoria de todos, as reais mudanças que a Tecnologia provocou nesse nincho é também um intuito do evento, que vai contar com a presença de Gilberto Jr. em uma palestra sobre a blogosfera (não se engane, não é só blogs, mas sim sobre cultura de colaboração em massa).
O evento irá ocorrer entre os dias 1 e 4 de Novembro em Londrina. Para maiores informações ou para se inscrever entre no site e se vire.

Latinoware 2007

Latinoware 2007Fiquei sabendo do Latinoware desde o começo do ano. É o evento onde mais estudantes vão. Será porque ele é realizado do lado do paraguai? Não sei… Mas chamam ele de Muambaware 2007… estou juntando meus dólares :) É bem mais geek que os outros eventos por tratar da parte mais técnica. Provavelmente os ótimos cases da CELEPAR e Itaipu de como eles economizam milhões com Software Livre.
Para quem gosta de Software Livre é uma ótima idéia.
Já viu alguém gostar mais de Open Source e Muamba do que estudante de Computação?
O evento irá ocorrer entre os dias 13 e 14 de Novembro em Foz do Iguaçu, maiores informações veja no site.

iMasters Intercon 2007

Intercon 2007O Intercon 2007 acontece em São Paulo, não é Londrina nem muito bem região. Mas o Intercon é um evento que me chama atenção pois há 1 ano atrás foi o primeiro do tipo que participei. Logo de cara, vi palestras de caras como o Luli e o Fred.
Foi o primeiro passo para eu me ligar ainda mais no montante de letrinhas xhtml, css, w3c, js, ruby e ruby on rails, ajax (bleh) que já na época eu estava de orelha em pé.
Então como o ano foi bom, estudando essas tecnologias, é de supor que indo ao evento desse ano vai sobrar mais pano pra manga de tecnologias para estudar ou pelo menos ficar ligado.
Além do excelente networking que rola lá, e o excelente almoço! Se quiser saber mais o site é bem completo, saí daqui e vá lá ver…



Gosto do assunto política, mas não gosto da forma …

18/6/2007 | Tags: , | Escrito por: Dirceu Júnior

Gosto do assunto política, mas não gosto da forma como a política é organizada nessas terras. Uma política com campanhas financiadas por organizações privadas não pode cumprir seu papel social, uma vez que deixa de prestar contas para a sociedade e passa a prestar contas para pessoas jurídicas…

Porém, sábado cedo eu e o Stéfano participamos de uma caminhada com muitos políticos, puxa sacos e aproveitadores da imagem do inteligentíssimo Cristovam Buarque.

Educação é Progresso

Ele esteve em Londrina para apresentar sua campanha - ou movimento - “Educação Já”, que leva essa bandeira muito legal, preste atenção, não é uma bandeira normal.

Um dia antes eu tinha ido numa palestra dele e fiquei bem com vontade de fazer uma pergunta, mas a vontade não foi maior que a timidez.

O que eu queria saber é como ficam os computadores, e o laptop de $100 nessa historia. Por que pra mim assim como para Nicholas Negroponte hoje em dia, não tem como sonhar que uma criança sem acesso a Internet terá a mesma oportunidade que uma criança com, no way.

Não deu pra perguntar (cof cof) então fui ler sobre, encontrei esse pdf que fala tudo do movimento. No pdf está a proposta em si, e pouca coisa se fala sobre computador. O que fala ainda é uma visão bem atrasada que dá pra ver que faltou pensar mais nessa parte importante.

Generalização da leitura na escola.
O computador e a mídia não substituem o livro. Uma das maiores fragilidades da escola brasileira está no baixo índice de leitura entre os alunos.

Apesar de eu ter lido poucos livros (Getting Real e alguns pdfs how-to terroristas) na Web, eu não acho ruim ler na web… Só não tenho muita oportunidade porque a coisa parece que não quer pegar.

Mas quando o assunto é noticia como as coisas mudam! E não só noticias, mas blogs sobre assuntos específicos também. Imagina juntar tudo que você leu no final de semana de erreerresses (RSS) eim? E ainda anexar os links do Wikipédia que você clicou dos posts que leu… É um capitulo bem grande de um livro com o titulo: “Tudo que te interessa”.

E isso não vai ser aproveitado na excelente idéia do Cristovam. Pelo menos não até agora, não até eu mandar um e-mail pra ele ou alterar isso já agora na constituição!

Laptop de $100

Já com o OLPC as coisas poderiam mudar. Mas ele é muito pequeno e talvez fique muito mais incomodo ler ali do que na tela de um Desktop (ou não). O que seria legal seria tornar a aquisição de um Desktop fácil pra todos. E isso não precisa de nenhuma campanha, ou bolsa PC… O que precisa mesmo é diminuir a barreira fiscal em cima dos semi-condutores.Mas voltando ao OLPC eu acho que ele deveria ser mais estudado pelo Cristovam Buarque e por você. Você sabe o que é? Fique sabendo pois provavelmente um dia vai querer pegar o do seu filho pra ler RSS no ônibus, não é malandro!?



No colors anymore I want them to turn black

28/5/2007 | Tags: , , , , , , | Escrito por: Stéfano Torres


Quantos de nós nunca escutaram uma música, assistiram a um filme ou leram um livro que os fizeram acreditar que mudariam o mundo? Percebemos que vivemos em um mundo sujo, que nós temos a culpa por toda a sujeira, que ela impreguina nossos corações… e que temos a força de fazer a nossa parte !

Agora, quantos de nós realmente fizeram alguma coisa? De que valeu aquele pensamento ideológico se não passou de um pensamento mesmo? Somos contra empresas americanas que não assinaram o tratado de kyoto, mais ainda assim compramos delas porque é mais barato que daquelas que aumentaram seus preços para compensar os gastos para tentar ser um pouco mais sustentável (não existe empresa 100% sustentável ecologicamente e economicamente ;/ ), e ainda chingamos o aquecimento global.

Não queira mudar o mundo antes de a si mesmo.
Acredite que seu ato individual pode provocar uma mudança.

Escrevi esse post escutando Paint it Black - Rolling Stones , quem sabe, pode até ser que seja mais um impulso ideológico como o que eu citei acima, mas depende de mim determinar o resultado.

Não se limite, busque a excelência…

Ps: Sobre a escolha da foto: De fato já havia pesquisado inúmeras fotos de vitímas de guerra, crianças machucadas e que haviam sofrido mais do que eu consigo imaginar, e ainda conseguiam sorrir… mas eu não quis abalar os leitores deste blog, só peço que se perguntem se vale a pena fechar os olhos para o resto do mundo. Então vamos olhas para os três bebês gordinhos fantasiados de urso, porque essa fantasia é melhor do que ******.