Entendendo a GPL (GNU General Public License)

1/3/2008 | Tags:, , , , , , , | Escrito por: Dirceu Pauka Jr.

Após escrever sobre a Creative Commons e MIT License chegou a vez da GPL – ou GNU General Public License - a precursora das licenças livres para distribuição de software. De quebra você vai entender o que é Copyleft e quais as diferenças entre as 3 licenças que expliquei até agora.

Uma forma fácil de entender a necessidade da criação da GPL é conhecer sua história, ou melhor: o que aconteceu com Richard Stallman que o levou a dedicar boa parte do seu tempo a criar e espalhar a idéia do software livre.

Lisp MachineNos anos 80 Stallman trabalhava no laboratório do MIT e um de seus projetos era um interpretador para linguagem de programação Lisp. Dentro do mesmo laboratório surgiu uma empresa chamada Symbolics com o intuito de produzir computadores de alto desempenho para pesquisas e projetos de IA (Inteligência Artificial) – chamadas de Maquinas Lisp.

Na época ocorreu a seguinte mudança nas indústria de computadores: os softwares que antes eram feitos para rodar somente em certos computadores passaram a ter características mais genéricas que possibilitariam o seu uso em maquinas de modelos e fabricantes diferentes. Antes só existia a indústria de maquinas completas, então uma vez que o foco da indústria não era especificamente linhas de código, e sim circuitos eletrônicos os programadores compartilhavam seus códigos livremente. Com essa mudança de perspectiva tornou-se importante para a concorrência existirem programas melhores, em vez de somente maquinas melhores. Foi quando as empresas passaram a exigir de seus funcionários que não divulgassem informações (códigos) para outras pessoas, usando como artifício as leis de direitos autorais (copyright).

A Symbolics que tinha acesso aos códigos que estavam nos laboratórios do MIT – por ser uma empresa de programadores do mesmo laboratório – usou boa parte do trabalho de Richard Stallman no interpretador Lisp aperfeiçoando e estendendo o programa. Porém quando Richard quis ter acesso às modificações feitas pela empresa, ela negou.

Desde então – especificamente 1984 – Stallman vem lutando para evitar casos como esse, de uma empresa que se aproveita do conhecimento criado por uma comunidade para então criar algo que não beneficie tal comunidade.

GNUAchando muito difícil conseguir uma inversão de paradigmas somente mudando o pensamento dos programadores, Stallman decidiu se apoiar também nas leis de direitos autorais. Ele criou a Emacs General Public License que foi a primeira licença copyleft usada. E um pouco depois criou a GPL para ser usada no projeto GNU. Um licença de copyleft é a denominação para um tipo de direito autoral (sim, assim como as licenças de software proprietário se baseiam em leis de direitos autorais a GPL e outras licenças para software livre também!) que obriga a distribuição do código fonte de um programa derivado de outro que se encontrar sobre tal licença.

Espera! Essa é a alma do negocio, então eu preciso repetir.

Uma licença copyleft (assim como e principalmente a GPL) é a utilização das leis de direitos autorais para impedir que uma pessoa ou empresa se utilize de código aberto de software para criar/desenvolver um outro software derivado que seja proprietário, ou seja, que não disponibilize o seu código fonte na distribuição. Copyleft, Free Software ou Software Livre quer dizer uma mesma abordagem para evitar a necessidade de se pedir alguma autorização e enfrentar burocracias caso exista a necessidade ou vontade de melhorar, estudar, ampliar, adaptar um programa de computador.

Communist programmerMuitas pessoas podem confundir isso com software gratuito. Essas mesmas pessoas acham que programadores de projetos com código aberto (open source) são falsos comunistas, que dizem que é o software é livre querem mesmo é ganhar dinheiro. Que isso só aumenta as chances de sabotagem, e que não pode existir pessoas que trabalhem de graça.

Olha que viagem! Comunistas? Sabotador? Dá pra entender até onde vai as piras de quem não entende nadinha de uma boa sociedade baseada na livre circulação de conhecimento?

Chamar um software de livre não é necessariamente chama-lo de gratuito. Software livre como o nome diz está muito mais ligado em assegurar liberdades do que valores. Mais especificamente as liberdades podem ser resumidas para 4:

  • A liberdade para executar o programa, para qualquer propósito.
  • A liberdade de estudar como o programa funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades. Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
  • A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo.
  • A liberdade de aperfeiçoar o programa, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.

Mas preste atenção: essa liberdades são asseguradas a quem adquirir uma copia do software.
Mas para adquirir uma copia do software você pode ter ou não que pagar por isso.

Ainda assim, se você pagar por isso poderá vender e até mesmo distribuir gratuitamente esse software. Por essa característica de dar a liberdade de “emprestar para seu vizinho” o programa pago, a maioria dos softwares livres já não são pagas desde sua primeira distribuição. E os desenvolvedores se utilizam de outras formas para criar uma cadeia econômica com o software livre. Como prestação de suporte e cobrança para aperfeiçoamentos e adaptações às características do comprador.

Caramba, você deve estar se perguntando quando eu vou começar a escrever sobre a GPL especificamente e parar com esse papo furado de software livre… Amigo, essa é a GPL (GNU General Public License)!

Claro que existem algumas diferenças entre outras licenças de código livre. Mas se você quer saber mesmo, ao se deparar com outra licença e tiver alguma duvida na diferença dela para a GPL, preste atenção no termo Copyleft. É esse termo que define a obrigatoriedade de se manter as 4 liberdades em trabalhos derivados.

Software é uma ferramenta para distribuição de conhecimento. impedir a livre distribuição de software é impedir o desenvolvimento das diversas áreas do conhecimento. viu como softwrare proprietário prejudica a economia?

Aproveitando o artigo, que uniu a explicação da GPL e do termo Copyleft gostaria de complementar as explicações que dei sobre Creative Commons e a Licença MIT (ou X11),

Creative Commons

Eu fiz uma certa confusão de palavras quando me referi ao uso da Creative Commons em projetos de código aberto e software livre.
O certo é entender que diferentemente do falado no artigo anterior código aberto não significa copyleft: obrigatoriedade em assegurar as 4 liberdades. Assim sendo, a Creative Commons pode ser utilizada sim em projetos de código aberto, porém não em softwares livres. Mais uma vez para reforçar: se o software é livre, ele deverá manter-se livre e a Creative Commons não obriga isso. Então ele é código aberto, mas pode deixar de ser…

Ainda relacionado a isso, existe um tipo de Creative Commons chamada Share-Alike. Ou compartilhamento sobre mesma licença. Ela chega mais próxima de ser livre, ao em vez de somente aberta. Porém como ela assegura somente que o projeto deverá ser redistribuído sobre a mesma licença e não necessariamente ter a mesmas liberdades, não podemos chamar nem mesmo a Creative Commons Share-Alike de copyleft.

Licença MIT

Diferentemente do que o artigo dá a entender, não é necessário somente incluir o aviso de copyright nas copias do software ou de seu código. Deve-se logicamente também seguir tais termos de copyright! (Veja a licença).

Complementando, a Licença MIT não obriga a distribuição do código fonte e também não sobrepõem seus termos sobre outras licenças. Isso quer dizer que como o software pode ser re-licenciado, pode ser que essa outra licença faça com que os termos da Licença MIT percam a validade.

Ou seja: Ela dá a liberdade de quem obtiver o software por ela licenciado, porém não obriga nem a disponibilização do código fonte, nem a manutenção dessa liberdade na próxima distribuição (como a GPL obriga). Por esse motivo, ela também não é uma licença copyleft.

Saiba Mais sobre outras licenças de conteúdo e software:

Esse artigo faz parte de uma série de outros dois artigos explicando as características de algumas licenças de livre circulação de material cultural, de código aberto e de software livre.
Veja mais:
Entendendo a Creative Commons
Entendendo a Licença MIT



Entendendo a Licença MIT

15/2/2008 | Tags:, , , , , , | Escrito por: Dirceu Pauka Jr.

Continuando uma série de artigos sobre licenças para conteúdos/trabalhos livres, vou fazer uma rápida passada pela “MIT License” que servirá somente para deixar claro os termos aos quais produções sobre essa licença estão sujeitos.

A licença MIT foi criada somente para licenciamento de softwares – ao contrário da Creative Commons que pode ser utilizada para outros tipos de produções culturais (veja também: Entendendo a Creative Commons).

“MIT License” é um sinônimo de “X11 License” – por ter sido desenvolvida para ser usada no X Window System (engine gráfica para sistemas operacionais) – e não se refere a um único tipo de licença do Massachusetts Institute of Technology.

Por se tratar de uma licença permissiva, não existe proibição sobre o que pode ser feito com o software e seu código, desde que o portador do software (e da licença) siga o único termo dela:

“O aviso de copyright acima e esta permissão deverá ser incluído em todas as cópias ou partes substanciais do Software.”

Sendo então permitido por exemplo o uso de códigos por ela licenciados em (e com) software proprietário – programas pagos e de código fechado – e por esse motivo ela não é considera do tipo “Copyleft”, termo referente a um tipo de Copyright que obriga quem utilizar o código não utilizar junto com porções de software proprietário.

Saiba Mais sobre outras licenças de conteúdo e software:

Esse artigo faz parte de uma série de outros dois artigos explicando as características de algumas licenças de livre circulação de material cultural, de código aberto e de software livre.
Veja mais:
Entendendo a Creative Commons
Entendendo a GPL (GNU General Public License)



Entendendo a Creative Commons

11/2/2008 | Tags:, , , , , , | Escrito por: Dirceu Pauka Jr.

Até hoje eu nunca havia entendido muito bem as diferentes “licenças livres” que são usadas em softwares ou em conteúdos diversos (filmes, livros, música…). Sempre soube que elas eram feitas para assegurar certos direitos e liberdades ao autor e a quem obter uma copia do trabalho, mas nunca havia tomado nota da importância de estudar uma licença dessas antes de utiliza-la.

Pessoalmente eu adoro a iniciativa Creative Commons e antes de estuda-la e pesquisar também sobre outras licenças, pensava em usa-la para todos projetos abertos que eu desenvolvesse. Tanto que a utilizei no projeto do leitor de tela para deficientes que utiliza o mouse :) . Porém após conhece-la melhor, vi que para certos tipos de trabalhos – como softwares – ela não é eficiente.

Creative Commons

Creative Commons 1Assim como qualquer outro documento para licenciamento (livre ou não), o Creative Commons é um conjunto de termos para proteger o seu trabalho de ser “roubado”. Ou seja sua natureza legal é aplicar certas condições – restrições – na utilização/distribuição/modificação de qualquer trabalho para que alguns direitos do autor sejam mantidos.

A Creative Commons não serve como licença de programas de código aberto (opensource) – pois não existem termos que obriguem a distribuição do código fonte – porem pode ser utilizada como uma forma de publicar software livre sim.

Como assim, software livre, opensource, código aberto, qual a diferença?

Pense em algo totalmente diferente de programas de computador, ahm, tortas!
Em uma torta, se você publica-la utilizando a Creative Commons sob Atribuição significaria para você:
Fazer a torta e passa-la pra frente com a licença CC.

E para quem pega-la:
Creative Commons 2Come-la, estuda-la, colocar chantilly e se for dar para outra pessoa falar quem foi que fez ela. Não sendo necessário publicar, distribuir ou redistribuir a receita da torta.

Essa seria uma torta livre, mas não de código aberto. Sacou?

(Além disso alguns países obrigam o distribuidor de software manter certos termos de garantia no produto, o que não é abrangido pela CC.)

Dentro do conjunto de regras da Creative Commons existem 4 termos que combinados formam as 6 licenças CC.
Esses termos são: Atribuição, Uso Não Comercial, Não à Obras Derivadas, Compartilhamento pela mesma Licença.

Creative Commons 3

Suas combinações formam as diferentes licenças CC:

  • Atribuição: é a forma simples da CC – ela obriga quem utilizar (exibir, modificar, estudar…) a obra a manter os créditos originais do autor.
  • Atribuição + Compartilhamento pela mesma Licença: ela incorpora o primeiro termo e adiciona a obrigatoriedade de compartilhar obras derivadas utilizando a mesma licença que a obra original utilizava.
  • Atribuição + Não à Obras Derivadas: você obriga que não será permitido utilizar (exibir, modificar, estudar…) nenhuma obra derivada de seu trabalho.
  • Atribuição + Uso Não Comercial: você proíbe a possibilidade de uso comercial tanto da obra original quanto obras derivadas.
  • Atribuição + Uso Não Comercial + Compartilhamento pela mesma Licença: somente poderá ser feito algo com a obra desde que não seja feito uso comercial e também seja utilizada a mesma licença para obras derivadas.
  • Atribuição + Uso Não Comercial + Não à Obras Derivadas: o trabalho não poderá ser utilizado de forma comercial e também não poderão ser feitos trabalhos derivados.

Creative Commons 4Ao invés de dar destaques em termos como “permitir, dão liberdade” e afins, negritei palavras como “obrigam, limitam” justamente para deixar claro que licenciando um trabalho na CC você de forma alguma está abdicando de todos direitos sobre o trabalho. Assim como (e mais importante) você não está dando TOTAL liberdade a quem adquirir uma copia da obra. Na verdade você está de qualquer forma e em qualquer licença tirando a liberdade de livre utilização – impondo algumas regrinhas.

Creative Commons 5Mas você tem que entender que essas regrinhas são na verdade feitas para o bem. Diferente das publicações com “todos direitos reservados”, você vai na verdade manter com a Creative Commons alguns poucos direitos que devem servir como forma de retribuição ao trabalho exercido.

Se o intuito é dar todas liberdades para quem adquirir uma copia do trabalho você pode deixar claro que quer utilizar as regras aplicadas ao Domínio Público ou ainda distribuir a obra nos termos da WTFPL (sigla para Do What The Fuck You Want To Public License ou em português de filme liberado para menores de 14 anos: Faça o que quiser).

Creative Commons 6Entenda a Creative Commons como uma substituta das licenças reservadas, no sentido de que as mesmas foram feitas com o intuito de fazerem o bem para a sociedade e acabaram se tornando um impedimento ao livre estudo e livre circulação de material cultural, e a CC vem para resgatar a intenção de socialização de conhecimento.

Creative Commons 7

Esse material é uma tradução e coletânea de informações com a adição do pensamento do autor. De nenhuma forma isso substitui as licenças originais em Inglês ou tenta fazer um entendimento diferente delas.

As tiras foram feitas originamente por Neeru Paharia. As ilustrações originais são de Ryan Junell, e as fotos de Matt Haughey. Legendas foram traduzidas por mim – Dirceu Júnior. Originais em: http://wiki.creativecommons.org/Howitworks_Comic1

Saiba Mais sobre outras licenças de conteúdo e software:

Esse artigo faz parte de uma série de outros dois artigos explicando as características de algumas licenças de livre circulação de material cultural, de código aberto e de software livre.
Veja mais:
Entendendo a Licença MIT
Entendendo a GPL (GNU General Public License)



Vamos desenhar uma linha imaginária !

29/12/2007 | Tags:, , | Escrito por: Stéfano Torres

Alguém tem essa caneta?

Sociedade!Jardins Suspensos da Babilônia - Cultura Geek

Onde tudo começou? Babilônia? Marte? Formigas e insetos coletivos afins? Quem sabe.

Para onde vamos? Temos uma boa idéia do mundo em que vivemos, certo? Ahhhh! Então podemos definir uma linha imaginária do destino que está por vir.

A Sociedade conforme encaramos ela ou nem encaramos em certas ocasiões tem como princípio elementar a necessidade humana de se relacionar com os de sua espécie bem como cooperar para desenvolver um meio de vida mais eficiente. Afinal, 6 bilhões de cabeças pensam melhor do que uma.. ou não?

Será que todas estas mentes realmente tem um potencial como colaboradores para uma sociedade melhor? Excluindo-se os psicopatas (desculpem meu preconceito quanto à eles).

Eu acredito que sim.Karl Marx

Mas seria impossível que TODOS agissem como os catalizadores de mudanças e ninguém fizesse parte da força de trabalho. (Desculpe Marx)

Ter acesso à um computador, uma conexão com o mundo já lhe coloca em uma parcela privilegiada da raça humana com acesso à uma quantidade absurda de informação, mas, sobretudo uma oportunidade de troca de opiniões.

O quanto menosprezamos o poder de uma opinião? Quanto supervalorizamos ela? Recentemente descobri que meu bem mais valioso é minha opinião. Construída ao longo de 20 anos com influências únicas e que pessoa nenhuma jamais teve, tem, ou terá. Ela se diferencia bastante de outras, se assemelha com algumas e de nada valeria sem a interação com outras opiniões.

Mas o que mais aprecio na minha opinião, é que ela é mutável. Qualquer influência, por menor que seja terá um reflexo na minha visão do mundo.

Agora me diga, o acesso à uma quantidade cronologicamente ilimitada de opiniões não é o que de melhor a internet nos proporcionou?

Gerar uma quantidade diária de informação equivalente a todo o conhecimento da humanidade até o final da Idade Média não é algo a se ignorar. Muito menos sonhar ficar completamente atualizado. Portanto, manteremos nossas linhas imaginárias de visão do mundo com o cuidado de não nos alienarmos nelas

Às portas de um novo ano, lhe proponho sonhar.

Como será a blogosfera??

A Web??? Tim O’Reilly está certo?

O Mundo???

A Sociedade?

Perguntas óbvias que já se fizeram? Encontraram uma resposta?

Se sim espero honestamente que me contem para interagirmos opiniões. Se não, por que? Devemos parar de nos perguntar algo simplesmente por ser uma resposta impossível? Onde está o prazer da busca?

O cenário nunca foi melhor. A Ágora esta montada e se tornando mais equipada. O que faremos dela?

Peço, imploro, suplico e escrevo pro Papai Noel para que não deixem na mão dos neo-miguxos o poder de filosofar. Arrisquem discutir!

Espalhem isso, nós blogueiros somos uma parcela ínfima da população e descendentes diretos em espírito dos filósofos gregos! Estou puxando o saco agora simplesmente para que vocês também incentivem aqueles ao seu redor a discutir!

Discordem!

A Partir disto e tendo traçado um cenário ideal, começarei a rabiscar minha linha imaginária de como será o futuro.

Perdendo o medo e o preconceito quanto à discussão, discórdia e filosofia (Éris é tão legal) a sociedade irá evoluir sobre suas opiniões, resolveremos todos os problemas do mundo e seremos felizes para sempre.

:)

Não gostou?

Faltaram detalhes?

Desculpem, é somente uma linha imaginária.

O quadro só será formado unindo nossas linhas, curvas e cores (que coisa linda, não?).

Sintam-se livres para comentar.

Sonhem.

Feliz Ano-Novo.

Para os discordianos (e mexicanos), até 5 de maio.

México



Knol pelo menos aqui já gerou conteúdo não Wikipédiano

23/12/2007 | Tags:, , , , , | Escrito por: Dirceu Pauka Jr.

Bom! Finalmente isso está parecendo um “pomo” de discórdia. Tudo por causa da ferramenta de publicação que está sendo desenvolvida pelo Google conhecida até agora como Knol e por esse artigo levantando o assunto.

Lendo e relendo por ai cheguei a concordar com o que o Rafael Lima disse sobre “informações similares a Wikipédia“, realmente independente da tecnologia as informações serão similares. Mas não serão identicas.

Concordo com Ambos Todos que o foco do Google é publicidade e que uma parceria Google-Wikimedia é legal em pensar (apesar de sinceramente achar difícil).

Porém, discordo:
Achar que o Knol vai ser um problema no que diz a “lixo de conteúdo” e aquecimento global é dar muitos poderes ao Google, Rafael. Por que só levantar bandeira contra o Knol e não também contra as diversas ferramentas de publicação já existentes hoje? Pelo foco em publicidade que o Knol terá? Olhe os blogs e portais de conteúdo, estão cheios de anúncios também.

Ainda na questão de “não importar a tecnologia, conteúdo será igual ou similar” qual o motivo de existirem as diferentes formas de publicação de hoje, se poderia tudo ser publicado no mesmo local?
A resposta é que não pode!

Não se importar com a tecnologia e sim só com o conteúdo é muito bonito e legal, mas atente para uma palavra: . Conteúdo ou tecnologia por si só não importam, e sim a união de ambos.

É por isso que existem outras formas de publicação. Para diferentes conteúdos e focos, diferentes tecnológicas são necessárias.

E Stéfano (@tefo), realmente Google Account por ser mais usado que o CPF já é mais importante nos dias de hoje sim.

Mas também discordando de você, amigo, com carinho suficiente para manter essa discussão saudavel:
Você tem certeza que de qualquer forma criaremos conteúdos similares ao que já existe na Wikipédia?

Volto a repetir: Publicações pessoais são diferentes de enciclopédias. Trabalhos científicos extremamente técnicos e outros tipos de conteúdos como por exemplo dicionários fogem ao foco da Wikipédia tanto que a própria Wikimedia se preocupa em criar formas melhores para os usuários armazenar distintos tipos de material: Wiktionary (dicionário), WikiBooks (wiki-livros), Wikisource (biblioteca de livros prontos – não wiki-livros), Wikinews (Noticias), Wikiversity (conhecimento técnico), Wikispecies (diretório de espécies), Wikicommons (mídia) e outros portais de conteúdo especifico.


Tem ainda a questão da corrida por “Knows” para gerar receita com publicidade. Lógico que para ter conclusões sobre esse assunto, é necessário saber como serão retornados os resultados da busca do Google. Se o Google tratar os “Knows” como qualquer outro endereço, posicionando na busca pelos mesmo algoritmos, qual o problema? Não haverá diferença nenhuma entre as atuais ferramentas de publicação existentes.

Assim sendo, o Knol pode ser encarado como uma forma melhor de armazenar certo tipo de material. E não como um monstro, destruidor dos 5 cantos da terra como estão encarando.



Knol vs. Wiki

17/12/2007 | Tags:, , , , , , | Escrito por: Stéfano Torres

Acabei de ler no Google Discovery sobre o Knol (não vou explicar o que é, simplesmente clique aqui ) e é uma proposta realmente interessante e que nos faz sonhar.

Knol

Até onde isso iria? (sim, eu quero que você clique no link original para entender o post )

O potencial seria ótimo mas me fez pensar se seria necessário.

O seguinte comentário me deixou perturbado:

Realmente é “quase” uma Wikipédia mas “social”. Muito interessante mesmo!

E a wikipédia seria o que?

Não acho que seria vantagem para ninguém uma competição para ver quem seria o “melhor”.

Cada um é o melhor em sua área.

Publicidade no caso do Google, e conteúdo no caso da wikipédia.
Uma competição tenderia a descentralizar o conhecimento, haveriam dúvidas tais como:

-Vou postar essa página no Knol ou na Wiki?
-Onde que tem a informação mais “confiável” e “válida”?
-Qual é o mais completo?

A wikipédia conseguiu se consolidar e chegar no patamar de “a mais completa enciclopédia do mundo” sem quaisquer fundos senão as doações.

Se o Google disponibilizasse as ferramentas criadas para o Knol à Wikipédia, com um simples “Supplied by Google” no canto da tela, sem qualquer Ad-sense, lucraria tanto quanto senão mais.

Imaginem o potencial da Wikipédia se fosse patrocinada pela Google.

$$$$$ + comunidade = usuário feliz

Por que devemos Reinventar a roda se hoje poderíamos faze-la girar mais rápido?



Uso de Wiki no Ensino de Matemática

25/10/2007 | Tags:, , , | Escrito por: Dirceu Pauka Jr.

O arquivo da apresentação que preparei para minha palestra na Semana da Matemática 2007 na UEL está logo ali em baixo.

O foco é mostrar como o ambiente wiki pode facilitar a troca de informações e conteúdo no nicho acadêmico. Com destaque para o exemplo de uso da linguagem científica LaTeX em cima da plataforma MediaWiki.

Arquivos:
Apresentação em PDF
Apresentação em PPT (Office 97-2003)
Apresentação em PPTX (Office 2007)

Lembrando que todo conteúdo desse blog, inclusive essas apresentações estão sob licença Creative Commons 2.5 BR. Ou seja, você pode fazer tudo com esse conteúdo desde que dê os créditos originais do autor.



Modelos de Negócios Criativos na Internet

20/10/2007 | Tags:, , , , | Escrito por: Dirceu Pauka Jr.

Em vez de enumerar uma dezena de serviços inovadores em sua arte de fazer negócios de e ir falando que todos irão fechar, que a bolha 2.0 vai explodir e a Google vai fechar, vamos explorar porque o termo Modelo de Negócio é tão usado ao falarmos de internet.

Quando falamos de empresas que não trabalham na web, não é comum atentarmos para o seu modelo de negócio, simplesmente porque ele está implícito em sua atividade. A Coka faz dinheiro com vinagre refrigerante, a Sony com eletrônicos, a TAM vende passagens e a Airbus aviões.

Mas o YouTube não vende vídeos, o MySpace não vende informações preciosas para seqüestradores e a maioria dos MMORPGs não vende o jogo ou o direito de jogar.

Apesar de existirem sites ou softwares que geram renda com a própria prestação do serviço, a maioria dos serviços na web não ganham dinheiro diretamente com seu ramo de atuação. Eles se utilizam de sua plataforma de software para explorarem maneiras diferentes de obter lucro.

A mais usada e que foi herdada do estouro do chiclete 1.0 é a exploração de publicidade e comercialização de produtos e serviços de terceiros.

Boa parte das inovações em termos de plataforma que vemos hoje busca somente aperfeiçoar o esquema de publicidade da web véia ou do mundão véio. É o que acontece quando uma empresa compra um lugar no Second Life e fixa uma pseudo-loja no ambiente. Lógico que se o objetivo é vender o seu produto dentro do ambiente (loja), está usando um novo modelo, mas usar a loja como ‘outdoor’ (pseudo-loja) para vender lá fora, está apenas usando o velho modelo na nova plataforma.

Em questão de explorar de verdade a plataforma com um modelo lucrativo novo, o Second Life é um ótimo exemplo. A Linden – empresa que desenvolveu e explora o universo virtual – utiliza o esquema de venda de espaço em sua grande matriz de pixels para ganhar dinheiro. E mais! Como forma de retribuir e estimular os usuários a criarem, todo usuário pode produzir itens ou scripts e vender para outros personagens gerando renda para si, em dólares!

Várias empresas também aproveitam a plataforma da Linden para desenhar, criar e programar objetos que serão vendidos para os usuários do capitalismo paralelo pelo capitalismo real (dólares).

Outro modelo de utilização da plataforma web para gerar moeda$ verdes$ é a exploração das chamadas Ágoras Modernas (Wikinomics).

Por ser um modelo quase que exclusivamente B2B ele não é muito conhecido, mas para uma simples explicação vamos comparar as novas Ágoras com o ebay. Venda de produto consumidor-consumidor pela web. Mas no ambiente de uma Ágora Moderna não é vendido o produto em si, e sim idéias, patentes e projetos de engenharia para empresas interessadas ou que tenham necessidade em adquirir para concluir um produto.


Pode-se perceber pelos dois exemplos que usei, que a filosofia por traz desses novos modelos é de colaboração e abertura. Outras plataformas da nova economia também seguem os mesmo princípios. Os mesmo princípios de um espaço wiki. Já recomendei e repito: Wikinomics, um livro muito bom que trata sobre ‘toda essa coisa’ de economia e web.

Eu inclusive dei uma copiadona de alguns trechos em artigos antigos. Aproveite e fique com vontade de comprar o livro Wikinomics[bb] após ler um pouquinho em meu outro artigo sobre.

Ah! E compareça no lounge do iMasters InterCon 2007 – no dia 27 – e bata um papo com Gilberto Jr sobre o tema em uma desconferência (Novos Modelos de Negócios na Internet) que vai rolar lá!

Se der tudo certo e eu tiver por lá, e você quiser falar comigo, é só olhar o cara com mais cara de criança que tiver lá que sou eu. (y)



Menos criticas

8/10/2007 | Tags:, , , , , | Escrito por: Dirceu Pauka Jr.

Qual o objetivo quando fazemos uma critica? Machucar profundamente o coração alheio? Normalmente quem sofre uma critica acha que é isso. Eu admito que fico irritado quando recebo uma critica também. Mas é questão de tempo para eu entender e até concordar com a critica, talvez até mudar (mudanças são difíceis em qualquer caso, mesmo eu sendo mente aberta… ou não).

Há algum tempo já estou me questionando qual a importância de criticas abertas. Exatamente desde quando o Rafael Lima fez um artigo continuando uma discussão. Primeiro levei como critica e. Depois vi que em partes ele estava certo, e mas adiante percebi que foi justamente a minha critica que gerou uma discussão e que nós levou a algumas conclusões. Ou seja, ela foi produtiva.

Tirei uma conclusão.

Eu não estou totalmente certo em ficar fazendo criticas vazias ao trabalho dos outros só por que eu sei o que é mais certo (não absolutamente certo, sim relativamente).

Isso pela frase: “O problema é quando a empresa está querendo que seu site seja indexada, e o contratado faz um site em flash” que respondo por aqui: “Quando a empresa não sabe o que é ['ser indexada', 'acessibilidade', 'SEO'], o certo é deixar isso claro para ela, prestar uma consultoria. Qual será a porcentagem de agências ou produtores web que fazem isso? 3%? 5%?”.

E não estou totalmente errado.

Talvez quando dizem que criticas são importantes, estão falando só pra gente refletir, criticar e xingar mentalmente. Pode até ser por isso que quando uma empresa escreve: “dúvidas, elogios, criticas e sugestões: Clique Aqui” e escrevemos aquele e-mail imenso, não recebemos nenhuma resposta. Eles não querem saber das criticas. Acabam não ganhando sugestões e elogios. Provavelmente entendem todas sugestões como criticas. Ou todas criticas como não sugestões. E não respondem.

Mas tudo isso me fez pensar que realmente não irei a lugar algum “se ficar apontando os erros dos outros”, mas eles irão. Eles terão a chance de refletir, igual eu tive com a critica (no bom sentido) do Rafael.

Mas fazendo uma média entre custo x beneficio eu só saio perdendo. Justamente por isso, a partir de hoje, menos criticas abertas de minha parte. Mas não vou deixar de ir lá no Kero Ke Ry avaliar formalmente o sistema deles e jogar os pontos negativos aqui. Não vou deixar de ‘tentar’ ajudar. Só vou diminuir a dose. Ok!?



Excertos do Wikinomics – Prosumers

26/9/2007 | Tags:, , , | Escrito por: Dirceu Pauka Jr.

Wikinomics BookFiquei interessado em escrever esses trechos do livro “Wikinomics” em meu blog após ler “iPhone desbloqueado será destruido” no blog do Gilberto Jr.

Todos os trechos aqui estão no capitulo “Prosumers“. Prosumers é uma neologia para se referir a consumidores que também são produtores.

Aqui Lawrence Lessig, escritor e professor de direito de Stanford em um debate realizado no Secound Life:

[...] “Vocês precisam conscientizar os políticos incompetentes do efeito que leis do século XIX estão surtindo no século XX” [...] “Eles não entendem. Acham que estão detendo ‘piratas’ quando estão bloqueando todos os tipos de criatividade.”

IFake + Jack Fake

Mais adiante uma empresa que abriu sua plataforma: Lego

Uma das primeira, e até hoje uma das mais dinâmicas, comunidades de prosumers se formou em torno dos produtos Lego. [...] Apesar de a Lego ser mais conhecidade por produzir pequenos blocos de plástico que se encaixam uns nos outros, a empresa está cada vez mais se concentrando em brinquedos de alta tecnologia. Com o Lego Mindstorms, por exemplo, os usuários constroem robôs de verdade a partir de peças programáveis que podem ser tudo que uma mente adolescente puder criar. [...] os diretoes ficaram surpresos ao descobrir que os brinquedos robóticos eram populares [...] também por adultos ávidos por aperfeiçoa-los.
Três semanas após seu lançamento, grupos de usuários haviam sergido por toda parte e os modificadores haviam feito a engenharia reversa e reprogramado sensores, motores e dispositivos de controle que formam o coração do sistema robótico Mindstorms. Quando os usuários mandaram suas sugestões para a Lego, a empresa inicialmente os ameaçou com processos. Quando os usuários se rebelaram, a Lego finalmente mudou de opnião e acabou incorporando suas idéias. [...] Hoje, a Lego usa o site mindstorms.lego.com para estimular experimentações com o seu software. O site oferece um kit gratuito de desenvolvimento de software que pode ser baixado; os clientes da Lego, por sua vez, usam o site para divulgar descrições de suas criações – assim como o código e as instruções de programação do software e as peças Lego necessárias para construi-las.

Pinball de Lego Mindstorm

O caso da Lego é interessante pois o próprio brinquedo Lego é uma diversão para estimular a criatividade. Seria inaceitável se após alguma modificação feita pelo usuário em seu Mindstorm ele se transforma-se em um peso de papel.

Mas existem empresas que se parecem com mães receosas e dizem a seus filhos: “Pare de fazer ‘isso com isso’, ‘isso não foi feito pra isso’”. E ainda existem “mães” que castigam seus filhos, transformando seus produtos verdadeiros pesos de papel. Empresas = Mães Chatas

A criação de produtos realizada por consumidores soa como uma proposta em que todo mundo sai ganhando. De fato, como sera possível perder? [...] O que acontece quando as modificações e extensões desenvolvidas pelos clientes entram em conflito com os imperativos de negócios de uma empresa? [...] A lego teve sorte. Mas, para algumas empresas, essas questões se tornaram agonizantes e confusas.
Veja o exemplo do Apple iPod. [...] Ele tem sido um enorme sucesso para a Apple. Com o iTunes, seu serviço complementar de música digital, o iPod revitalizou a empresa, enquanto transformava de uma só vez as indústrias de música e bens de consumo eletrônicos.
Talvez não seja surpresa o fato de, hoje em dia, os clientes da Apple serem ainda mais ambiciosos. Os usuários-lideres sempre supuseram que o iPod poderia ser bem mais do que um leitor de música digital. Afinal de contas, o iPod é um poderoso hardware com um enorme disco rígido. [...] Por que não transformar o iPod em um computador portátil que tem tudo, desde videogames até a Wikipédia? [...] O problema para os aventureiros é que o iPod é um sistema fechado. Não há documentação sobre o software ou as ferramentas que ajudam os programadores a transforma-lo em alguma outra coisa. É claro, isso nunca deteve os usuários antes e, de forma bastante previsível, eles resolveram colocar a mão na massa, literalmente. Seja modificando o invólucro, instalando softwares personalizados ou desmontando-o e dobrando sua memória [...].

Ao contrario da Lego, a Apple dificulta que seus consumidores se tornem também produtores. Mas esse não é mesmo o foco da Apple. Da Lego sim.

Google Maps no iPodA Apple até pode sair perdendo com modificações dos usuários. Para que você compraria um iPhone urgentemente se com poucas modificações no software de seu velho iPod você consegue visualizar rotas rodoviárias do Google Maps ou outros serviços? Ou para que você compraria um videogame da Apple hoje (algo que eu acho provável que exista um dia) se consegue rodar Doom em seu iPod de quarta geração…
Perceba que não estou falando que você não compraria um iPhone ou “iPlay”, estou falando que você poderia adiar essa compra.

Continuando no livro:

Jobs sabe que a empresa está no fio da navalha. O modelo de negócios do iTunes/iPod da Apple se baseia na falta de interoperabilidade com outros aparelhos e serviços. Por exemplo, o software de gestão de direitos digitais da Apple – eufemisticamente chamado de FairPlay – impede que o não-funcionamento do iPod com qualquer outros formato protegido contra cópias. Isso significa que os clientes são forçados a comprar suas músicas através do iTunes. [...] O próprio Steve Jobs disse o seguinte: “Com o iTunes, decidimos trabalhar com o leitor de música mais popular – que é de longe o iPod. Em vez de apoiar todos os outros, preferimos usar a engenharia para inovar.”
Mas o que acontece quando “os outros” não são apenas concorrentes, mas seus clientes mais leais e engajados?

E aqui está a prova do que falei sobre você não precisar comprar um iPhone para a próxima viagem se pode ter mapas em um iPod de quarta geração.

Ao mesmo tempo, os executivos da Apple precisam se preocupar por que, se os usuários podem modificar a engenharia do produtos e adicionar um série aparentemente ilimitada de novos recursos e capacidades, haverá pouco incentivo para que os clientes gastem mais dinheiro na loja da Apple comprando novas versões mais sofisticas do iPod.

Wii BrickadoSony PSP hackeado, Nintendo Wii/DS com WiiKey, Xbox 360 e a Microsoft queimando clientes que instalem firmwares modificados. Tudo isso é estratégia de marketing para fazer comercial: “produtos piratas podem prejudicar seu videogame”. Ou você acha que os engenheiros não sabiam dessa semelhantes característica de transformar seu console em tijolo caso você tente fazer algum hack?

A Apple não está sozinha em seus confusos esforços para descobrir como lidar com clientes cadA vez mais sofisticados que insistem em levar a tecnologia ao limite. O popular PlayStation Portable (PSP) da Sony também se tornou uma plataforma para uma ampla gama de modificações realizadas por clientes que expandem precocemente as capacidades desse aparelho portátil de videogame.
[...] Agora, um vasto número de clientes do PSP pode entrar em vários sites desenvolvidos pelos próprios usuários e trocar online aplicativos e jogos feitos em casa. [...]
A Sony vai além da Apple no que diz respeito a denunciar explicitamente a engenhosidade de seus clientes. A empresa até tomou providências para travar retroativamente as plataformas PSP. Para carregar os últimos jogos e periféricos da Sony, os usuários têm, por exemplo, de fazer um upgrade do firmware do PSP [...]. Clientes frustrados descobrem posteriormente que o novo firmware da Sony desabilita todos os jogos e aplicativos que eles deram duro para desenvolver a partir de versões anteriores. Inevitavelmente, tem sido uma batalha perdida – os hackers decodificam as novas versões do firmware com a mesma velocidade que a Sony as lança. [...]

O texto continua com o tema e jogar a seguinte pergunta: “Será que as empresas optarão por lutar contra todos os seus clientes?”.

Produtos como plataforma de desenvolvimentoÉ isso que a Apple pretende fazer, que Sony, Nintendo e Microsoft estão fazendo em seus consoles. Eu não duvido que em breve teremos plataformas abertas de empresas que exploram as modificações feitas pelos clientes. E de algum modo transformem em receita a interação com o usuários. Resta alguma dúvida de que essa “empresa do futuro” aniquilara a engenharia fechada e os castigos oferecidos pelas empresas atuais?


Para quem não viu, já postei um excerto do mesmo livro no capitulo que fala sobre a Lei de Coase. E vou continuar jogando trechos desse excelente livro aqui.