26/9/2007 | Tags:democratização do conteúdo, mudanças, novas ferramentas, wiki | Escrito por: Dirceu Pauka Jr.
Fiquei interessado em escrever esses trechos do livro “Wikinomics” em meu blog após ler “iPhone desbloqueado será destruido” no blog do Gilberto Jr.
Todos os trechos aqui estão no capitulo “Prosumers“. Prosumers é uma neologia para se referir a consumidores que também são produtores.
Aqui Lawrence Lessig, escritor e professor de direito de Stanford em um debate realizado no Secound Life:
[...] “Vocês precisam conscientizar os políticos incompetentes do efeito que leis do século XIX estão surtindo no século XX” [...] “Eles não entendem. Acham que estão detendo ‘piratas’ quando estão bloqueando todos os tipos de criatividade.”

Mais adiante uma empresa que abriu sua plataforma: Lego
Uma das primeira, e até hoje uma das mais dinâmicas, comunidades de prosumers se formou em torno dos produtos Lego. [...] Apesar de a Lego ser mais conhecidade por produzir pequenos blocos de plástico que se encaixam uns nos outros, a empresa está cada vez mais se concentrando em brinquedos de alta tecnologia. Com o Lego Mindstorms, por exemplo, os usuários constroem robôs de verdade a partir de peças programáveis que podem ser tudo que uma mente adolescente puder criar. [...] os diretoes ficaram surpresos ao descobrir que os brinquedos robóticos eram populares [...] também por adultos ávidos por aperfeiçoa-los.
Três semanas após seu lançamento, grupos de usuários haviam sergido por toda parte e os modificadores haviam feito a engenharia reversa e reprogramado sensores, motores e dispositivos de controle que formam o coração do sistema robótico Mindstorms. Quando os usuários mandaram suas sugestões para a Lego, a empresa inicialmente os ameaçou com processos. Quando os usuários se rebelaram, a Lego finalmente mudou de opnião e acabou incorporando suas idéias. [...] Hoje, a Lego usa o site mindstorms.lego.com para estimular experimentações com o seu software. O site oferece um kit gratuito de desenvolvimento de software que pode ser baixado; os clientes da Lego, por sua vez, usam o site para divulgar descrições de suas criações – assim como o código e as instruções de programação do software e as peças Lego necessárias para construi-las.

O caso da Lego é interessante pois o próprio brinquedo Lego é uma diversão para estimular a criatividade. Seria inaceitável se após alguma modificação feita pelo usuário em seu Mindstorm ele se transforma-se em um peso de papel.
Mas existem empresas que se parecem com mães receosas e dizem a seus filhos: “Pare de fazer ‘isso com isso’, ‘isso não foi feito pra isso’”. E ainda existem “mães” que castigam seus filhos, transformando seus produtos verdadeiros pesos de papel. 
A criação de produtos realizada por consumidores soa como uma proposta em que todo mundo sai ganhando. De fato, como sera possível perder? [...] O que acontece quando as modificações e extensões desenvolvidas pelos clientes entram em conflito com os imperativos de negócios de uma empresa? [...] A lego teve sorte. Mas, para algumas empresas, essas questões se tornaram agonizantes e confusas.
Veja o exemplo do Apple iPod. [...] Ele tem sido um enorme sucesso para a Apple. Com o iTunes, seu serviço complementar de música digital, o iPod revitalizou a empresa, enquanto transformava de uma só vez as indústrias de música e bens de consumo eletrônicos.
Talvez não seja surpresa o fato de, hoje em dia, os clientes da Apple serem ainda mais ambiciosos. Os usuários-lideres sempre supuseram que o iPod poderia ser bem mais do que um leitor de música digital. Afinal de contas, o iPod é um poderoso hardware com um enorme disco rígido. [...] Por que não transformar o iPod em um computador portátil que tem tudo, desde videogames até a Wikipédia? [...] O problema para os aventureiros é que o iPod é um sistema fechado. Não há documentação sobre o software ou as ferramentas que ajudam os programadores a transforma-lo em alguma outra coisa. É claro, isso nunca deteve os usuários antes e, de forma bastante previsível, eles resolveram colocar a mão na massa, literalmente. Seja modificando o invólucro, instalando softwares personalizados ou desmontando-o e dobrando sua memória [...].
Ao contrario da Lego, a Apple dificulta que seus consumidores se tornem também produtores. Mas esse não é mesmo o foco da Apple. Da Lego sim.
A Apple até pode sair perdendo com modificações dos usuários. Para que você compraria um iPhone urgentemente se com poucas modificações no software de seu velho iPod você consegue visualizar rotas rodoviárias do Google Maps ou outros serviços? Ou para que você compraria um videogame da Apple hoje (algo que eu acho provável que exista um dia) se consegue rodar Doom em seu iPod de quarta geração…
Perceba que não estou falando que você não compraria um iPhone ou “iPlay”, estou falando que você poderia adiar essa compra.
Continuando no livro:
Jobs sabe que a empresa está no fio da navalha. O modelo de negócios do iTunes/iPod da Apple se baseia na falta de interoperabilidade com outros aparelhos e serviços. Por exemplo, o software de gestão de direitos digitais da Apple – eufemisticamente chamado de FairPlay – impede que o não-funcionamento do iPod com qualquer outros formato protegido contra cópias. Isso significa que os clientes são forçados a comprar suas músicas através do iTunes. [...] O próprio Steve Jobs disse o seguinte: “Com o iTunes, decidimos trabalhar com o leitor de música mais popular – que é de longe o iPod. Em vez de apoiar todos os outros, preferimos usar a engenharia para inovar.”
Mas o que acontece quando “os outros” não são apenas concorrentes, mas seus clientes mais leais e engajados?
E aqui está a prova do que falei sobre você não precisar comprar um iPhone para a próxima viagem se pode ter mapas em um iPod de quarta geração.
Ao mesmo tempo, os executivos da Apple precisam se preocupar por que, se os usuários podem modificar a engenharia do produtos e adicionar um série aparentemente ilimitada de novos recursos e capacidades, haverá pouco incentivo para que os clientes gastem mais dinheiro na loja da Apple comprando novas versões mais sofisticas do iPod.
Sony PSP hackeado, Nintendo Wii/DS com WiiKey, Xbox 360 e a Microsoft queimando clientes que instalem firmwares modificados. Tudo isso é estratégia de marketing para fazer comercial: “produtos piratas podem prejudicar seu videogame”. Ou você acha que os engenheiros não sabiam dessa semelhantes característica de transformar seu console em tijolo caso você tente fazer algum hack?
A Apple não está sozinha em seus confusos esforços para descobrir como lidar com clientes cadA vez mais sofisticados que insistem em levar a tecnologia ao limite. O popular PlayStation Portable (PSP) da Sony também se tornou uma plataforma para uma ampla gama de modificações realizadas por clientes que expandem precocemente as capacidades desse aparelho portátil de videogame.
[...] Agora, um vasto número de clientes do PSP pode entrar em vários sites desenvolvidos pelos próprios usuários e trocar online aplicativos e jogos feitos em casa. [...]
A Sony vai além da Apple no que diz respeito a denunciar explicitamente a engenhosidade de seus clientes. A empresa até tomou providências para travar retroativamente as plataformas PSP. Para carregar os últimos jogos e periféricos da Sony, os usuários têm, por exemplo, de fazer um upgrade do firmware do PSP [...]. Clientes frustrados descobrem posteriormente que o novo firmware da Sony desabilita todos os jogos e aplicativos que eles deram duro para desenvolver a partir de versões anteriores. Inevitavelmente, tem sido uma batalha perdida – os hackers decodificam as novas versões do firmware com a mesma velocidade que a Sony as lança. [...]
O texto continua com o tema e jogar a seguinte pergunta: “Será que as empresas optarão por lutar contra todos os seus clientes?”.
É isso que a Apple pretende fazer, que Sony, Nintendo e Microsoft estão fazendo em seus consoles. Eu não duvido que em breve teremos plataformas abertas de empresas que exploram as modificações feitas pelos clientes. E de algum modo transformem em receita a interação com o usuários. Resta alguma dúvida de que essa “empresa do futuro” aniquilara a engenharia fechada e os castigos oferecidos pelas empresas atuais?
Para quem não viu, já postei um excerto do mesmo livro no capitulo que fala sobre a Lei de Coase. E vou continuar jogando trechos desse excelente livro aqui.



2 Comentários so far
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Parabéns pelo vosso blog! Vou introduzir um link na minha página http://www.wikinomia.net.
Saudações cordiais,
Nelson S Lima
Portugal
By Nelson S Lima on 11.10.07 9:37 am | Permalink
[...] inclusive dei uma copiadona de alguns trechos em artigos antigos. Aproveite e fique com vontade de comprar o livro Wikinomics após ler um [...]
By Pomo T.I » Modelos de Negócios Criativos na Internet on 04.08.08 2:46 am | Permalink
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