Segue abaixo a apresentação do Zeebo com baseada na entrevista de Fernando Fische por Reinaldo Normand

Posicionamento no Mercado
O Zeebo não vem para brigar diretamente com os consoles da nova geração, como Xbox 360
e PlayStation 3, mas sim para oferecer uma alternativa viável para aqueles consumidores que ainda estão em uma escala inferior e hoje acabam comprando um PS2 desbloqueado para rodar apenas jogos piratas, por falta de outra oportunidade. Com um preço estimado para o mercado na casa de R$ 599 e disponível nas grandes lojas de varejo, com opções de facilidade do pagamento, a Tectoy espera chegar até este público, oferecendo jogos originais, que serão comprados com preço médio de R$ 20, podendo variar entre R$ 10 e R$ 30. Os próprios executivos da empresa esperam que a qualidade gráfica esteja entre o PS1 e o PS2, ficando no início talvez mais próximo do PS1 e com o passar do tempo e com o desenvolvimento de novos games, podemos chegar até a algo similar ao Resident Evil 4 no PS2. A diferença é que todos os games serão 100% em português e podemos dizer que o Zeebo é a prova de pirataria, já que a única forma de transferir os games é pela rede ZeeboNet 3G. [...]
[...]Para comprar os games, os usuários devem adquirir créditos em sua conta (chamados de Z-Credits), que poderão ser recarregados de diversas formas como cartão de crédito, boleto bancário, crédito em conta corrente ou cartão pré-pago, que poderão ser adquiridos em estabelecimentos comerciais. Os games lançados não serão simples conversões de outras plataformas, haverá todo um processo de preparação para deixá-los aptos para rodar no Zeebo, que vai desde a tradução das falas, menus e interfaces com o usuário, até a melhorias ou otimizações gráficas e preparo para a jogabilidade no joystick. A idéia é trabalhar com publishers conhecidas de renome mundial, tais como Sega, Capcom e Namco, além de contar com um controle no lançamento que englobe a função de acelerômetro, que inclui um sensor de movimento como o Wii da Nintendo.
Na íntegra no gamersbrasil.uol
Ok, legal até a idéia. Quais os problemas?
Eles copiaram na cara dura a frente do PS3, a lateral do Xbox e as cores do Wii… O hardware é equivalente a um PS1 e o preço de um PS2 a venda em qualquer site.
A idéia que realmente se destaca é a de baixar os jogos. Mas não creio que seja uma idéia genial vender um console com preço de um PS2, com jogos do preço de jogos do PS2 pirata sem qualquer outra vantagem. É o polystation novo?
Inserir uma conexão como a 3G é muito legal, não poderiam aproveitar e inserir a opção de jogar em rede? Ou então inserir uma conexão wi-fi para maior velocidade sendo que as tendências apontam para que existam cada vez mais área urbanas com wi-fi a um custo próximo do nulo. Essa sim seria uma vantagem tremenda…
Quanto ao preço, o mercado é formado pelas classes mais pobrelares, ou seja, não podem esperar que o lucro de um videogame cujo propósito é lucrar com o download de jogos sem qualquer custo de produção, além do desenvolvimento, fique na venda do console.
Tenham por exemplo a Apple. O iPod é considerado um player barato em relação ao custo benefício no Estados Unidos. Por que ele é o maior sucesso da Apple? Por que o Steve não cobra 1000 dólares no iPhone? Por causa da iTunes Store e a App Store, que vende as músicas e aplicativos neste mesmo sistema e obtêm o retorno sobre o investimento na parte longa da cauda.
Imaginem um videogame de 100 a 150 reais com milhares de jogos à disposição (a maioria desses, seria de produtoras independentes) custando de 2 a 5 reais cada um. O problema com os jogos mais populares é que empresas como a EA e outras ainda focam o mercado de alto nível, deixando campo aberto para a pirataria sendo que boa parte da renda destes jogos fica nos revendedores, cabendo ao nerd gamer pagar 100 reais em um disco de dvd com o jogo. Também não dá espaço aos desenvolvedores independentes de mostrarem que tem algo legal que gostariam que os outros vissem e prestigiassem. No mesmo esquema da App Store, o grupo cria um jogo, mostra pra uns amigos fazerem o review e vendem a licença para a TecToy ou outra empresa que se ligue nessa IDÉIA e disponibilize o jogo para download. Dos 3 reais que o usuário pagaria para baixar em média, 1 real iria para o dono da idéia e 2 reais a empresa que criou o console, o sistema e tem um custo quase nulo de mante-lo vendo a abrangência do mercado.
Digamos que venda meio milhão de consoles ao preço que sugeriram, R$ 599,99. Seriam quase 300 milhões de receita para eles, fora os 2 ou 3 jogos que cada usuario ira comprar antes de descobrirem um jeito de baixar os jogos pelo computador e colocar pela entrada USB do console… oops.
E se vendessem 1 milhão de consoles a 150 reais? “Só” 150 milhões de receita para vender o dobro de aparelhos.. não parece legal certo? ou parece? Pagando 3 reais por jogo considerando que não teria o custo de buscar em comunidades do orkut onde baixar no PC Positivo deles, parece um bom negócio. Até baixaria aquele jogo novo que o Zézinho contou. É só o preço de um salgado mais um suco. Não gostei? Ok, baixo outro, quem sabe aquele jogo independente que tem tudo que eu gosto porque tá na seção de tiros e tem as tags “emo” “matar” “chuck+norris-like”. Baixaria até uns 50 jogos assim…
E assim por diante.
Não façam um produto 1.0 em uma sociedade 2.0.
Inovem e repensem o conceito de produto.