Arquivos de Setembro, 2007

Excertos do Wikinomics - Prosumers

Wikinomics BookFiquei interessado em escrever esses trechos do livro “Wikinomics” em meu blog após ler “iPhone desbloqueado será destruido” no blog do Gilberto Jr.

Todos os trechos aqui estão no capitulo “Prosumers“. Prosumers é uma neologia para se referir a consumidores que também são produtores.

Aqui Lawrence Lessig, escritor e professor de direito de Stanford em um debate realizado no Secound Life:

[…] “Vocês precisam conscientizar os políticos incompetentes do efeito que leis do século XIX estão surtindo no século XX” […] “Eles não entendem. Acham que estão detendo ‘piratas’ quando estão bloqueando todos os tipos de criatividade.”

IFake + Jack Fake

Mais adiante uma empresa que abriu sua plataforma: Lego

Uma das primeira, e até hoje uma das mais dinâmicas, comunidades de prosumers se formou em torno dos produtos Lego. […] Apesar de a Lego ser mais conhecidade por produzir pequenos blocos de plástico que se encaixam uns nos outros, a empresa está cada vez mais se concentrando em brinquedos de alta tecnologia. Com o Lego Mindstorms, por exemplo, os usuários constroem robôs de verdade a partir de peças programáveis que podem ser tudo que uma mente adolescente puder criar. […] os diretoes ficaram surpresos ao descobrir que os brinquedos robóticos eram populares […] também por adultos ávidos por aperfeiçoa-los.
Três semanas após seu lançamento, grupos de usuários haviam sergido por toda parte e os modificadores haviam feito a engenharia reversa e reprogramado sensores, motores e dispositivos de controle que formam o coração do sistema robótico Mindstorms. Quando os usuários mandaram suas sugestões para a Lego, a empresa inicialmente os ameaçou com processos. Quando os usuários se rebelaram, a Lego finalmente mudou de opnião e acabou incorporando suas idéias. […] Hoje, a Lego usa o site mindstorms.lego.com para estimular experimentações com o seu software. O site oferece um kit gratuito de desenvolvimento de software que pode ser baixado; os clientes da Lego, por sua vez, usam o site para divulgar descrições de suas criações - assim como o código e as instruções de programação do software e as peças Lego necessárias para construi-las.

Pinball de Lego Mindstorm

O caso da Lego é interessante pois o próprio brinquedo Lego é uma diversão para estimular a criatividade. Seria inaceitável se após alguma modificação feita pelo usuário em seu Mindstorm ele se transforma-se em um peso de papel.

Mas existem empresas que se parecem com mães receosas e dizem a seus filhos: “Pare de fazer ‘isso com isso’, ‘isso não foi feito pra isso’”. E ainda existem “mães” que castigam seus filhos, transformando seus produtos verdadeiros pesos de papel. Empresas = Mães Chatas

A criação de produtos realizada por consumidores soa como uma proposta em que todo mundo sai ganhando. De fato, como sera possível perder? […] O que acontece quando as modificações e extensões desenvolvidas pelos clientes entram em conflito com os imperativos de negócios de uma empresa? […] A lego teve sorte. Mas, para algumas empresas, essas questões se tornaram agonizantes e confusas.
Veja o exemplo do Apple iPod. […] Ele tem sido um enorme sucesso para a Apple. Com o iTunes, seu serviço complementar de música digital, o iPod revitalizou a empresa, enquanto transformava de uma só vez as indústrias de música e bens de consumo eletrônicos.
Talvez não seja surpresa o fato de, hoje em dia, os clientes da Apple serem ainda mais ambiciosos. Os usuários-lideres sempre supuseram que o iPod poderia ser bem mais do que um leitor de música digital. Afinal de contas, o iPod é um poderoso hardware com um enorme disco rígido. […] Por que não transformar o iPod em um computador portátil que tem tudo, desde videogames até a Wikipédia? […] O problema para os aventureiros é que o iPod é um sistema fechado. Não há documentação sobre o software ou as ferramentas que ajudam os programadores a transforma-lo em alguma outra coisa. É claro, isso nunca deteve os usuários antes e, de forma bastante previsível, eles resolveram colocar a mão na massa, literalmente. Seja modificando o invólucro, instalando softwares personalizados ou desmontando-o e dobrando sua memória […].

Ao contrario da Lego, a Apple dificulta que seus consumidores se tornem também produtores. Mas esse não é mesmo o foco da Apple. Da Lego sim.

Google Maps no iPodA Apple até pode sair perdendo com modificações dos usuários. Para que você compraria um iPhone urgentemente se com poucas modificações no software de seu velho iPod você consegue visualizar rotas rodoviárias do Google Maps ou outros serviços? Ou para que você compraria um videogame da Apple hoje (algo que eu acho provável que exista um dia) se consegue rodar Doom em seu iPod de quarta geração…
Perceba que não estou falando que você não compraria um iPhone ou “iPlay”, estou falando que você poderia adiar essa compra.

Continuando no livro:

Jobs sabe que a empresa está no fio da navalha. O modelo de negócios do iTunes/iPod da Apple se baseia na falta de interoperabilidade com outros aparelhos e serviços. Por exemplo, o software de gestão de direitos digitais da Apple - eufemisticamente chamado de FairPlay - impede que o não-funcionamento do iPod com qualquer outros formato protegido contra cópias. Isso significa que os clientes são forçados a comprar suas músicas através do iTunes. […] O próprio Steve Jobs disse o seguinte: “Com o iTunes, decidimos trabalhar com o leitor de música mais popular - que é de longe o iPod. Em vez de apoiar todos os outros, preferimos usar a engenharia para inovar.”
Mas o que acontece quando “os outros” não são apenas concorrentes, mas seus clientes mais leais e engajados?

E aqui está a prova do que falei sobre você não precisar comprar um iPhone para a próxima viagem se pode ter mapas em um iPod de quarta geração.

Ao mesmo tempo, os executivos da Apple precisam se preocupar por que, se os usuários podem modificar a engenharia do produtos e adicionar um série aparentemente ilimitada de novos recursos e capacidades, haverá pouco incentivo para que os clientes gastem mais dinheiro na loja da Apple comprando novas versões mais sofisticas do iPod.

Wii BrickadoSony PSP hackeado, Nintendo Wii/DS com WiiKey, Xbox 360 e a Microsoft queimando clientes que instalem firmwares modificados. Tudo isso é estratégia de marketing para fazer comercial: “produtos piratas podem prejudicar seu videogame”. Ou você acha que os engenheiros não sabiam dessa semelhantes característica de transformar seu console em tijolo caso você tente fazer algum hack?

A Apple não está sozinha em seus confusos esforços para descobrir como lidar com clientes cadA vez mais sofisticados que insistem em levar a tecnologia ao limite. O popular PlayStation Portable (PSP) da Sony também se tornou uma plataforma para uma ampla gama de modificações realizadas por clientes que expandem precocemente as capacidades desse aparelho portátil de videogame.
[…] Agora, um vasto número de clientes do PSP pode entrar em vários sites desenvolvidos pelos próprios usuários e trocar online aplicativos e jogos feitos em casa. […]
A Sony vai além da Apple no que diz respeito a denunciar explicitamente a engenhosidade de seus clientes. A empresa até tomou providências para travar retroativamente as plataformas PSP. Para carregar os últimos jogos e periféricos da Sony, os usuários têm, por exemplo, de fazer um upgrade do firmware do PSP […]. Clientes frustrados descobrem posteriormente que o novo firmware da Sony desabilita todos os jogos e aplicativos que eles deram duro para desenvolver a partir de versões anteriores. Inevitavelmente, tem sido uma batalha perdida - os hackers decodificam as novas versões do firmware com a mesma velocidade que a Sony as lança. […]

O texto continua com o tema e jogar a seguinte pergunta: “Será que as empresas optarão por lutar contra todos os seus clientes?”.

Produtos como plataforma de desenvolvimentoÉ isso que a Apple pretende fazer, que Sony, Nintendo e Microsoft estão fazendo em seus consoles. Eu não duvido que em breve teremos plataformas abertas de empresas que exploram as modificações feitas pelos clientes. E de algum modo transformem em receita a interação com o usuários. Resta alguma dúvida de que essa “empresa do futuro” aniquilara a engenharia fechada e os castigos oferecidos pelas empresas atuais?


Para quem não viu, já postei um excerto do mesmo livro no capitulo que fala sobre a Lei de Coase. E vou continuar jogando trechos desse excelente livro aqui.

Eu fui: Os Caminhos da Tecnologia

Essa de “Eu fui” vai ser interessante. Em vez de Hype-Stops ou outro tipo de série que vai encher o saco de quem escreve e de quem lê, vou postar sempre que eu for em algum evento minhas impressões sobre ele.

Eu fui lá na palestra “Os Caminhos da Tecnologia” que eu tinha publicado aqui há algum tempo. Achei que seria um evento médio, com umas 40 pessoas, provavelmente em uma sala de aula ou algo assim. Mas não foi, foi pequeno pra caramba! Numa sala improvisada da empresa Atitude Vital. Com poucas pessoas foi mais fácil alcançar o refrigerante e os docinhos.

Achei também que era um evento solto que ocorreu por a caso, mas não foi também. Essa palestra fez parte de um ciclo de várias palestras e encontros organizadas por um grupo de empresários londrinenses interessados em TI.

Wellington De Marchi abordou principalmente temas que remetem à necessidade da indústria pela inovação e criação de novos produtos. Porém em nenhum momento ele falou sobre a participação do usuário no processo, o que me deixou frustrado.

Vou citar rapidinho os temas abordados:

  • Gphone (com o pequeno erro de afirmar o lançamento do produto, sendo que a Google sequer confirmou que está desenvolvendo)
  • VoIP (e a piadinha dos dois peão falando em cima de arvores ou IPês)
  • Neutralidade na Web (sem citar essa palavra e com o erro de falar que as empresas donas dos backbones principais da internet vão realmente cobrar de sites que não queiram ver sua banda diminuida e que o Google está fazendo também, sendo que ocorre na verdade o contrario por parte do Google)
  • Google (ele falou bastante sobre a tal empresa que usa o slogan Don’t be Evil e mostrou o vídeo Google Master Plan)
  • Importância do papel nisso tudo (que segundo ele é muito importante pois as pessoas ainda precisam materializar as informações, eu não acho)

Opinião: Achei legal apesar do muito corporativismo do palestrante que disse: “as empresas que não olharem para o futuro morrerão”, mas também falou que “papel e impressão são importantes”. Provavelmente porque ele trabalha na Xerox (trabalhou segundo meu pai, mas trabalha segundo ele).

(Chegando em casa descobri que o Wellington já foi colega do meu pai. Inclusive já almoçou aqui em casa. Pena que eu tinha 6 anos, há se fosse hoje! A mesa ia ser um verdadeiro Pomo do TI (6).)

Eventos de TI - Londrina e Região

Desculpem a falta de novas discussões nesse pomo, mas o Stéfano esqueceu a senha do Wordpress e tem vergonha de perguntar e minha senha é muito grande por isso demorou para lembrar. Besteira.

Mas resolvi dar a cara por aqui para publicar sobre alguns eventos de Tecnologia na região. Aquela publicidade não paga que esses eventos passaram a ganhar por conta dos blogs, sabem :)
Começando por ordem de distância de Londrina e não terminando porque não há o que tagalerar, veja logo os eventos!

Os Caminhos da Tecnologia

Pelo e-mail que recebi é um encontro corporativo que vai apresentar os impactos da tecnologia em todas atividades de nossas vidas.
O palestrante é Wellington de Marchi, pós na USP, MBA na FGV, CDIA+ pelo MIT, e mais um monte de certificado da Microsoft e Cisco. Interessante.
Não tenho nada disso então não posso menosprezar, mas posso dizer que não ligo muito para certificados, não posso?
Não sei se vai ser bem algo ligado nesse universo de blogs, wikis e comunidades virtuais. Talvez seja só uma introdução à Tecnologia da Informação. Mas é só 5 reais. Como não achei site do evento, segue informações:

Data
17/09 - as 19:30

Local
Condomínio Comercial Senado
Rua Rua Souza Naves, n. 771 - Térreo - Loja 2.

Maiores informações
Odete - 43 9966-8684
odetesosa@hotmail.com

III Paraná Júnior

Publicidade paga com uma Heineken

Paraná JúniorO Paraná Júnior não é um evento voltado exclusivamente para TI, mas sim para empresários juniores. Porém é inegável a importância do tema [TI] para qualquer empresário hoje em dia, e tornar de sabedoria de todos, as reais mudanças que a Tecnologia provocou nesse nincho é também um intuito do evento, que vai contar com a presença de Gilberto Jr. em uma palestra sobre a blogosfera (não se engane, não é só blogs, mas sim sobre cultura de colaboração em massa).
O evento irá ocorrer entre os dias 1 e 4 de Novembro em Londrina. Para maiores informações ou para se inscrever entre no site e se vire.

Latinoware 2007

Latinoware 2007Fiquei sabendo do Latinoware desde o começo do ano. É o evento onde mais estudantes vão. Será porque ele é realizado do lado do paraguai? Não sei… Mas chamam ele de Muambaware 2007… estou juntando meus dólares :) É bem mais geek que os outros eventos por tratar da parte mais técnica. Provavelmente os ótimos cases da CELEPAR e Itaipu de como eles economizam milhões com Software Livre.
Para quem gosta de Software Livre é uma ótima idéia.
Já viu alguém gostar mais de Open Source e Muamba do que estudante de Computação?
O evento irá ocorrer entre os dias 13 e 14 de Novembro em Foz do Iguaçu, maiores informações veja no site.

iMasters Intercon 2007

Intercon 2007O Intercon 2007 acontece em São Paulo, não é Londrina nem muito bem região. Mas o Intercon é um evento que me chama atenção pois há 1 ano atrás foi o primeiro do tipo que participei. Logo de cara, vi palestras de caras como o Luli e o Fred.
Foi o primeiro passo para eu me ligar ainda mais no montante de letrinhas xhtml, css, w3c, js, ruby e ruby on rails, ajax (bleh) que já na época eu estava de orelha em pé.
Então como o ano foi bom, estudando essas tecnologias, é de supor que indo ao evento desse ano vai sobrar mais pano pra manga de tecnologias para estudar ou pelo menos ficar ligado.
Além do excelente networking que rola lá, e o excelente almoço! Se quiser saber mais o site é bem completo, saí daqui e vá lá ver…